A Copa do Mundo muito abaixo das expectativas colocou sobre os ombros de Fred o peso da desconfiança. O desempenho ruim do atacante com a seleção brasileira no Mundial virou motivo de chacota. Nas redes sociais, ele recebeu o apelido de “cone”, uma crítica pela falta de mobilidade. De volta ao time titular do Fluminense na vitória por 3 a 0 sobre o América-RN, pela terceira fase da Copa do Brasil, o camisa 9 tentou mostrar outra postura. Em Natal, esforçou-se, correu e buscou jogo. Teve bom desempenho na Arena das Dunas. Não marcou, mas deu uma ótima assistência para o gol de Conca (veja no vídeo acima). Ficou em campo o tempo todo, mostrou liderança e disposição para retomar a condição de incontestável no clube.
Depois de ter sido reserva contra o Goiás, pelo Brasileirão, o capitão tricolor ganhou de Cristóvão Borges a chance de começar o jogo contra os potiguares. O treinador poupou alguns jogadores, entre eles Rafael Sobis, atualmente titular. O esquema tático, o 4-2-3-1, não mudou, e o camisa 9 tentou repetir umas das principais características do companheiro, a constante movimentação.
Lugar de Fred: fora da área
Fred jogou fora da área a maior parte do primeiro tempo. Em alguns momentos, chegou perto do círculo central para fazer o pivô e tabelar com os homens que vinham de trás. Na hora de marcar, chegou a se aproximar da intermediária do Fluminense para ajudar no combate. A melhor chance dele nos 45 minutos iniciais foi uma cabeçada que o goleiro Fernando Henrique espalmou. A arbitragem marcara impedimento.
Fred e Cicero, comemoração Fluminense contra o América-RN (Foto: Anderson Stevens / Photocamera)
Fred é abraçado pelos companheiros durante a comemoração de um dos gols (Foto: Anderson Stevens / Photocamera)
Alguns erros de passe e de domínio de bola deram a impressão de que falta ritmo ao centroavante, que não teve alívio dos marcadores e sofreu algumas faltas. Os torcedores rivais também não o deixaram sossegar. Fred foi o único jogador do Fluminense a ser vaiado a cada toque na bola.
Acompanhado por vaias, mas também pelos companheiros. Cícero, Conca e Chiquinho se revezavam na hora de encostar no atacante e encorparam a linha de frente. Sempre que um deles ou os laterais Bruno e Carlinhos abriam pelas pontas, Fred partia para a área e erguia um dos braços entre os zagueiros para pedir o cruzamento. Poucos chegaram até ele.
Se o melhor futebol de Fred ainda não voltou, a liderança continua sendo uma marca do camisa 9. Orientou, elogiou e deu bronca nos companheiros. Pediu a presença de mais jogadores na marcação da saída de bola adversária e aplaudiu jogadas que por pouco não deram certo.
Gol de Conca, carinho para Fred
Números de Fred no jogo:
Finalizações: 0
Passes certos: 32
Passes errados: 4
Faltas sofridas: 5
Impedimentos: 1
Desarmes: 2
Fred retornou para o segundo tempo com a mesma postura: muito esforçado. Correu, voltou para marcar e apareceu na bola aérea defensiva. Pouco a pouco, o cansaço chegou. Pelo menos duas vezes foi até a lateral do campo para beber água, mas o camisa 9 manteve a boa movimentação. A torcida do América-RN também continuou com as vaias para o capitão tricolor, que respondeu na bola.
A noite foi de Cícero, que marcou dois gols. Chiquinho também foi bem e deu duas assistências. Mas se não teve chances de concluir, Fred virou garçom. Bem distante da área, mostrou que também pode servir. Aos 21 minutos do segundo tempo, recebeu a bola pouco depois do círculo central, viu a passagem de Conca em velocidade e deixou o argentino na cara do gol para driblar o goleiro Dida e marcar. Na comemoração, Fred correu para abraçar o companheiro, mas acabou sendo o mais festejado pelos colegas. Da área técnica, Cristóvão Borges o aplaudiu.
Ainda não é um Fred brilhante, o gol não saiu, mas o centroavante tricolor deixou boa impressão. Parece incomodado com a má fase e disposto a correr pelo Flu e a deixar a Copa no passado.
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Fred em 90 minutos: correria, liderança e toque brilhante para Conca
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